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quinta-feira, 7 de julho de 2011

Qual é a sapatilha ideal para o formato dos seus pés?



Durante a escolha da sapatilha de ponta, não basta saber de cor o nome de todas as marcas e modelos disponíveis no mercado, bem como todas as etapas a seguir no momento do ajuste. Tornar-se uma expert da tecnologia de sapatilhas em nada ajuda se a bailarina não conhecer seu próprio corpo e suas limitações (tanto físicas, como psicológicas).

Ainda tratarei das limitações psicológicas que uma bailarina enfrenta devido ao uso das sapatilhas de ponta. 

Mas hoje quero tratar de uma limitação física muito importante: o formato dos pés.

Pode-se classificar os formatos dos pés em três tipos distintos: Grego, Egípcio e Quadrado. Enumere os dedos dos pés, do dedão ao dedinho, de 1 a 5. Para cada formato, existem as seguintes fórmulas:

a.Pé Grego – 1<2>3>4>5;
b.Pé Egípcio – 1>2>3>4>5;
c.Pé Quadrado – 1=2>3>4>5.

Pé Grego: este tipo de pé possui o segundo dedo mais comprido que os demais.
Pé Egípcio: o dedão é o maior que todos os demais dedos, que diminuem de tamanho gradualmente.
Pé Quadrado: Este tipo de pé apresenta, pelo menos, três dedos do mesmo tamanho.

Não entendeu? A figura ajuda:



De forma bastante grosseira, pode-se considerar que o pé Egípcio possui a planta mais larga e o Grego a planta mais estreita. Entretanto, há pés largos ou estreitos para ambos os tipos Egípcio ou Grego.
O quadro abaixo dá uma excelente sugestão para as marcas mais adequadas aos formatos dos pés. Mas lembre-se de que é apenas uma sugestão.

O ajuste de toda sapatilha é individual e deve ser acompanhado, nas primeiras vezes, por um especialista ou por seu professor.

Este é apenas um guia prático para a orientação da escolha da sapatilha de acordo com as características anatômicas dos pés. Antes de verificar o quadro, determine o formato do seu pé, fazendo um contorno dele numa folha de papel e comparando o desenho com a figura acima.

ATENÇÃO: Leia todas as dicas abaixo do quadro antes de realizar a escolha.




Eixo vertical = Formato da caixa da sapatilha visto de lado (Quanto mais acima no eixo vertical, mais larga é a caixa. Quando mais abaixo no eixo, mais estreita é a caixa)

Eixo horizontal = Formato da caixa visto de cima (O lado esquerdo é mais estreito e o direito é mais largo)
* As informações do quadro têm propósitos apenas sugestivos. O quadro não garante a precisão absoluta do ajuste da sapatilha. Embora seja considerado apenas o aspecto da caixa, lembre-se que os demais itens da morfologia da sapatilha (altura da gáspea, do calcanhar, etc) também são importantes. Em geral, quanto menor o número da sapatilha, maior é a aparência do tamanho da plataforma e da caixa.
* O quadro não considera as diferentes larguras das caixas em um mesmo modelo de sapatilha (Geralmente, são as letrinhas A, B, C, etc impressas na sola da sapatilha)
* O quadro é o resultado de um estudo realizado pela Bordeaux. Portanto, é apenas um comparativo do tamanho das caixas e não é baseado em minha própria percepção ao calçá-las. Por esta mesma razão, modelos de sapatilhas brasileiras não foram incluídos.

DICAS E SUGESTÕES

Se você tem PÉ EGÍPCIO:

* Se o dedão e o segundo dedo, ou os três primeiros dedos têm aproximadamente o mesmo tamanho

É recomendada caixa de largura média a grande.
Se o arco plantar é alto – zona amarela clara a verde
Se o arco plantar é baixo (pé chato) – zona rosa clara a azul

* Se o dedão é maior que os demais dedos 

Este tipo de pé é provavelmente o que apresenta menor simetria com relação ao formato das caixas. Se a caixa for muito estreita, ela não acomodará o dedão. E se for muito larga, haverá sobra de espaço para os demais dedos, exceto o dedão, dificultando a técnica e aumentando o desconforto. É possível que você escolha sapatilhas de caixas mais largas. Entretanto, considerando o excesso de peso em cima do dedão, a escolha pode mudar para uma caixa de largura média.
O importante é acomodar os demais dedos com os ajustadores e ponteiras, alinhando a altura dos mesmos e distribuindo o peso em todos os dedos. Lembre-se que sapatilhas muito largas tendem a dirigir todo o peso do corpo para o dedão.

Se você tem PÉ GREGO:

*Se apenas o segundo dedo é maior

Caixas de largura média a estreita são recomendadas
Se o arco plantar é alto – zona amarela
Se o arco plantar é baixo (pé chato) – zona rosa
Para cada zona, escolha a sapatilha mais larga se o seu pé é largo. E a sapatilha mais estreita se seu pé é estreito. Mas cuidado para não escolher uma caixa muito larga, mesmo que você tenha pés largos. Isso pode aumentar o peso sobre o segundo dedo e causar dor.
Utilize ponteiras de gel e ajustadores para acomodar os demais dedos. Se seu pé é muito estreito, utilize ajustadores também nas laterais e nos calcanhares.

*Se o segundo e o terceiro dedos possuem mais ou menos o mesmo tamanho

Caixas de largura média a larga são recomendadas.
Se o arco plantar é alto – zona amarela clara a verde
Se o arco plantar é baixo (pé chato) – zona rosa a azul
Pés gregos com dedos de tamanhos equivalentes não se adaptam muito bem em caixas estreitas, oferecendo uma sensação de aperto nos dedos.

Se você tem o PÉ QUADRADO:

* Se o arco plantar é alto

Com relação à largura da caixa, recomendam-se as sapatilhas da zona verde
Se o pé é largo – modelos mais largos da zona verde
Se o pé é estreito – modelos mais largos da zona verde

* Se o arco plantar é baixo (pé chato)

Com relação à largura da caixa, recomendam-se as sapatilhas da zona azul
Se o pé é largo – modelos mais largos da zona azul
Se o pé é estreito – modelos mais largos da zona azul
Caixas muito estreitas poderão causar dor no dedão e no dedinho, mesmo que a largura do seu pé seja estreita.

E mesmo que as larguras sejam as mesmas…

Caixas de mesmo tamanho e mesma largura podem ainda ser divididas em: “arco alto em pé estreito” e “arco baixo em pé largo”.
Se o arco plantar é alto – zona amarela ou verde
Se o arco plantar é baixo – zona rosa ou azul


 O arco plantar é uma medida em Ortopedia dada pela impressão plantar. Basicamente, é como de define se a pessoa tem pé plano (pé chato), pé normal ou pé cavo. Há diversos problemas anatômicos relacionados com o arco plantar. Mas para nós, basta ter uma ligeira noção de como é o formato do arco de seu pé ou consultar seu ortopedista.



Apesar de todas as dicas, lembre-se de que o uso das sapatilhas de ponta, por melhor que seja o ajuste, não é confortável. É necessária uma grande dose de paixão e tolerância para encararmos o desafio. Mas somos bailarinas e para nós tudo é possível.
E então? Conseguiram utilizar o quadro? Já determinaram suas marcas de sapatilha? Boa Sorte a todass!!!

Referências:
“Propedêutica dos Pés” – Dr. Caio Nery (Depto. de Ortopedia e Traumatologia da UNIFESP)
“ Pointe Shoes Fitting Guidelines” – Gaynor Minden (rev 3/05): New York
“Pointe Shoe Quick Fit Chart” – Bordeaux (2002-2008)

terça-feira, 7 de junho de 2011

Relação Quadril-En Dehors


Muito se tem discutido sobre a postura correta da bailarina no que diz respeito aos ossos e musculatura do quadril.
Em todas as aulas a frase é repetida várias vezes: "encaixe o quadril". Simplesmente isso. Anos à fio contraindo o músculo do glúteo, imprimindo uma força desnecessária e sem nehuma explicação lógica, tensionando um músculo sem necessidade.
Os glúteos são músculos estabilizadores da bacia, se ficarem contraídos para manter o encaixe, vão prender as pernas. Porém de acordo com os professoras “old generation” com que estudei ainda na infância, essa contração ajudaria a obter o imprescindível en dehors. 

Ok! vamos por partes: primeiro o que quer dizer encaixar o quadril?
Fazer uma “rotação” dos ossos do quadril  empurrando o sacro para baixo e puxando o ilíaco pra cima, contraindo o músculo glúteo, os músculos abdominais, abrindo as costelas e projetando o tronco e o osso esterno para frente. Esta postura levou muitas bailarinas a desenvolver lordose, por conta da projeção exessiva do tronco. A coluna sempre busca uma compensação de peso para gerar equilíbrio ao nosso corpo, ou seja se expande demais para um lado pode saber que vai estar encurtando o outro.
Na minha opnião empurrar sacro e cóccix para baixo ajuda a alongar as costas, o que proporciona mais equilíbrio, também é importante promover uma aproximação dos ísquíos, o que aciona a musculatura do assoalho pélvico e libera os músculos rotadores do fêmur. Costumo recomendar ainda o acionamento dos músculos piramidais (região do baixo ventre), sem projetar o tronco para frente.


De acordo com o fisioterapeuta José Luiz Melo, em entrevista à Kerch&Kerch News: A principal musculatura responsável pelo en dehors, esta localizada profundamente nos quadris, abaixo dos glúteos, ligando a cabeça do fêmur às bordas do sacro e parte interna da bacia, mantendo intima ligação com o conjunto de músculos do assoalho pélvico (musculatura que forra o fundo da bacia), esta musculatura do assoalho pélvico, ou perínio, por sua vez, tem como uma ação secundária, a verticalização do Sacro. Portanto, para a musculatura do en dehors exercer sua função com eficiência, precisa que o  sacro esteja estabilizado e ligeiramente verticalizado pela musculatura do assoalho pélvico e de uma bacia e coluna lombar estabilizados pelos  abdominais, podemos concluir então, que para um trabalho eficiente do en dehors, deverá haver uma sincronia entre estes grupos musculares”.

No entanto deixar o fortalecimento da musculatura abdominal ficar ao encargo do encaixe do quadril (retroversão pélvica), contração isométrica dessa musculatura, é insuficiente para a manutenção do equilíbrio entre esses dois importantes grupos musculares, mantenedores da coluna lombar.
Ainda de acordo com Melo, é através do treino de ativação dos abdominais, em especial o músculo transverso,  em conjunto com o acionamento  do assoalho pélvico, é que o bailarino obtém uma estabilização da bacia, e isto vai permitir que as pernas rodem em en dehors, de modo mais eficaz, e esta mesma estabilização da bacia pelos abdominais dará a sensação de maior leveza nas pernas nos développés.


Ou seja este trabalho dos abdominais, deve ser complementar nas aulas de ballet e existem diversas séries de exercícios desenvolvidas especialmente para quem faz ballet, menos repetitivas e mais fluídas, trabalhando com isometria, mas também com seqüências.
Não se esqueçam ainda de trabalhar os dorsais, pois como já disse anteriormente o corpo está sempre buscando compensação para estabelecer equilíbrio, ou seja abdomen forte pede costas igualmente fortalecidas.




Referências:
http://kercheekerchenews.wordpress.com